Pitangas…

Talvez você tenha se perguntado porque neste post eu não adicionei o nome científico da pitanga e sim apenas reticências. O primeiro motivo que me levou a colocar as reticências, é para refletir a entonação dada por grande parte das pessoas quando você cita esta fruta. Quem já não provou aquela pitanga com um forte retrogosto de terebentina ou amargoso (eca!!!!)? Muitas pessoas nunca mais querem provar outra pitanga depois desta experiência, mas não sabem que a pitanga é uma fruta muito variável na forma (lisa ou costada), no tamanho (1cm a 5cm de diâmetro), na cor quando madura (verde, amarela, laranja, vermelha, roxa ou negra), no sabor do fruto (amargo, azedo, doce),  na quantidade de polpa (algumas tem caroço pequeno ou inexistente, outras tem mais de um, outras tem um caroço enorme) e também no tamanho da árvore, que pode não passar de um mero arbusto que mal chega a 1 metro de altura ou se tornar um gigante de uns 12 metros de altura!!! Por que tanta variação?!?! Na hora de comprar a muda, como saber se você está levando uma planta que produz frutos de qualidade ou aquela malfadada pitanga como gosto de terebentina????

pitangas

As diferentes cores e formas dos frutos

O segundo motivo é a variedade de tipos que existem. O nome científico pelo qual a pitanga é conhecida é Eugenia Uniflora. Sob este nome científico está abrigada a maioria das variedades de pitanga. Variedades: esse é o termo correto.

Diferentemente de outras frutas comercializadas, tais como laranja, pera, morango, melancia, etc, a pitanga não foi “domesticada”, ou seja, não passou por um processo de seleção quanto à forma, sabor, tamanho e cor que resulta na produção de cultivares (variedades) específicas, produzidas por clonagem ou enxertia da planta selecionada, embora você possa encontrar mudas que foram assim produzidas. Ademais, a pitanga não resiste ao transporte e isso desencoraja a sua comercialização. Assim, é natural que a pitanga não tenha um padrão como outras frutas comercializadas, e que tenha forma, sabor, cor e tamanho tão variável, produto de sua alta diversidade genética. Você já deve estar se perguntando: “Então como vou saber qual muda de pitanga presta?“. Não desista ainda, continue lendo.

pitangatree

À esquerda a pitanga de árvore, comum em todo Brasil e que pode chegar a 12m de altura. À direita, a pitanga do cerrado que mal chega a 1 metro de altura. Notem a forma diferente das folhas, embora os frutos sejam similares.

A pitangueira árborea é muito adaptável a variadas condições climáticas, tolera bem podas, e é encontrada desde a fronteira com as Guianas (onde é conhecida como Surinam Cherry) até a Argentina. Já a pitanga do cerrado (ou rasteira), cujo nome mais comum é Pitanga-Peba (científico Eugenia Pitanga), é exclusiva da região do cerrado brasileiro. Ambas frutificam após 2 ou 3 anos de vida, mas a diferença está no tamanho: a arbórea terá pelo menos um metro e vinte ao frutificar pela primeira vez, enquanto que a do cerrado pode ter menos do que um palmo de altura, conforme atesta meu post de 04/08/2015, cuja foto você pode ver aqui: Frutificando!

Ambas podem ser cultivadas em vasos, mas a do cerrado além de ocupar bem menos espaço (pode até ficar na sacada de um apartamento, desde que receba luz solar), tem frutos mais suculentos e de ótimo sabor. Vale ressaltar que algumas variedades da pitanga árborea não passam de 2 metros, enquanto que outras podem chegar a 12 metros de altura e, se você adquirir uma dessas mais cedo ou mais tarde terá que tirá-la do vaso. Ainda falando da pitanga de árvore, um conselho: só compre a muda se você puder provar os frutos por ela produzidos. Assim você evita de comprar uma variedade que tem o malfadado gosto de terebentina e, dependendo do tamanho da muda produzindo, poderá ter uma idéia de qual é a variedade e do tamanho final da árvore. Um outro conselho é optar pelas pitangas negras ou roxas, que normalmente tem sabor bem superior.

Em casa, tenho 04 mudas de variedades diferentes da pitanga do cerrado, sendo uma em vaso e as demais no solo. Tenho ainda 04 mudas da pitanga arbórea (três vermelhas e uma roxa) em vasos: duas em vasos de 55cm de altura por 40 cm de boca e uma em um vaso de 70cm de altura por 60 cm de boca. A roxa ainda não produziu frutos, mas as demais já e, como esperado, elas tem sabor diferente entre si. Mas nenhuma tem o malfadado gosto de terebentina. Todas tem bom sabor. 🙂

A pitangueira produz uma boa quantidade de frutos e tem também um belo efeito ornamental em função de suas brotações vinho-avermelhadas. Uma das variedades que tenho perde todas as folhas no outono e floresce no inverno. Muito bonita!

Então, ficou interessado? Então vá atrás de sua pitangueira! Na seção de links você encontra mudas da variedade arbórea com qualquer um dos fornecedores mas, que eu saiba, apenas o Colecionando Frutas, o e-Jardim e o Mudas de Frutíferas possuem mudas da variedade do cerrado (Pitanga-Peba – Eugenia Pitanga). No Mercado Livre você também encontra vários anúncios de ambas as variedades em suas diferentes cores. Você também poderá comprar sua muda no CEAGESP durante a semana (veja dias e horários) e nas feiras de sábado e domingo.

Para quem tem disponibilidade e transporte próprio, poderá ainda retirar mudas GRÁTIS (até 10, variadas) nos viveiros da prefeitura. Veja o estoque disponível clicando aqui.

Boa sorte com a sua pitangueira!

Curiosidades: A Sapiranga, ou Pau-Alazão (nome científico Eugenia Multicostata) é um parente próximo da pitanga. Os frutos são similares, mas maiores.

sapiranga

Frutos da Sapiranga

A árvore é bem maior e não poderá ser mantida indefinidamente em vasos: chega aos 30 metros de altura com um tronco quase retilíneo e de brilhante tom marron-avermelhado, cujas folhas lembram as da pitanga árborea, mas também são maiores. Seu crescimento é bastante lento, e inicia a frutificação entre 5 e 7 anos de idade.

sapirat

A árvore adulta e suas folhas

Hoje rara, sendo mais comum no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, esta árvore está à beira da extinção em função do abate para uso de sua madeira, de excelente qualidade. Na verdade, ela é conhecida mesmo como produtora de madeira-de-lei e não como frutífera, mas dá excelentes frutos. Caso você tenha interesse nesta frutífera muito pouco conhecida, vale um alerta: cuidado para não comprar gato por lebre! Há vários vendedores que se enganam e te enganam, apresentando outras árvores como sendo a Sapiranga. Dois vendedores que com certeza te venderão a planta certa, são o Marco Lacerda (e-Jardim) e o Ricardo Bitar (Jardim Exótico).

Se você tem espaço suficiente em solo, esta árvore é uma excelente aquisição não só por causa dos seus frutos, mas principalmente para embelezar e valorizar a sua propriedade.

Frutas no Brasil e no Mundo

O objetivo deste post é falar um pouco sobre a variedade das frutas nativas e exóticas encontradas no Brasil. A biodiversidade brasileira é espetacular e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. Sendo o Brasil um país de dimensões continentais, cortado ao norte pela linha do equador e, ao sul pelo Trópico de Capricórnio, concluímos que 92% do seu território situa-se na zona intertropical, isto é, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.

A Mata Atlântica, o Cerrado, a Região Tropical Amazônica e a Região de Clima Temperado que abrange o sul do país, nos permite o cultivo de diferentes frutíferas nativas e exóticas. Aliás, o que são frutas exóticas? O brasileiro usa o termo para designar as frutas pouco comuns, mesmo que nativas, mas a palavra “exótica” na verdade designa aquelas frutas que não são de fato nativas do território brasileiro. Mangas, laranjas, pêssegos, maçãs, lichias, romãs, longans e pêras são as frutas verdadeiramente exóticas, embora poucos saibam deste fato. Já as uvaias, araçás, gabirobas, cambucás, pitangas, jabuticabas e outras menos conhecidas, são as verdadeiras frutas nativas.

A esta altura, se você gosta de frutas e é uma pessoa curiosa, já deve estar se perguntando quais são as outras frutas, nativas e exóticas, cultivadas em nosso país. Bem, para obter a resposta a esta pergunta, sugiro a vocês que leiam o livro “Frutas no Brasil: Nativas e Exóticas”, título publicado pelo Instituto Plantarum. No livro, você encontrará informações e fotos de aproximadamente 1.020 tipos de frutas cultivadas no Brasil. Veja abaixo a imagem exemplo de páginas deste livro.

img_1016

Porém, você pode ser (como eu), uma pessoa ainda mais curiosa e que tem o desejo de saber mais sobre outras frutíferas existentes no mundo, em especial, as comestíveis. Bem, neste caso, um bom começo é a Fruitipedia, uma publicação online que traz fotos e descrição de frutíferas de todo o mundo, muitas das quais desconhecidas da população em geral. Vale a pena a leitura!

fruitpedia

Uma outra fonte de referência indispensável, é a do maior colecionador de frutas Brasileiro: Hélton Josué Teodoro Muniz. Ele é um autodidata, um pesquisador de frutas ou frutólogo, como ele mesmo gosta de dizer. Seu site contém, além da descrição e fotos de inúmeras frutíferas nativas, venda de mudas e instruções para cultivá-las. Hélton também tem uma história de vida inspiradora, de superação, que você precisa conhecer. Visite o site deste meu amigo e conheça a sua incrível coleção de frutíferas: http://www.colecionandofrutas.org/index.htm.

colecfrut

Para você que deseja saber mais sobre as frutíferas e sobre como cultivá-las, além do potencial comercial, a leitura das obras de referência supracitadas constitui-se em um ponto de partida indispensável.

Boa leitura e diversão!

Jabuticabas

Fruta legitimamente brasileira, nativa da Mata Atlântica, a jabuticaba é tão famosa que até faz parte de um ditado conhecido internacionalmente (infelizmente negativo) referente ao nosso país: “Se é do Brasil e não é jabuticaba, então não presta”. Isso equivale a dizer que em nosso país a única coisa que presta é a jabuticaba. É lamentável que exista este ditado mas… em um país onde a corrupção é sistêmica, onde a impunidade impera e onde a maioria quer apenas levar vantagem sobre os outros, este ditado acaba por fazer todo o sentido embora com certeza não seja 100% verdadeiro, pois existem muitas pessoas e coisas boas no Brasil.

Bem, mas este Blog é sobre frutíferas, e não sobre política, então vamos ao que interessa: a jabuticaba! Uma frutinha que de tão apreciada, tornou-se comum nos quintais familiares dos brasileiros, em especial naqueles dos moradores do Estado de São Paulo, região onde até dá nome a uma cidade: Jaboticabal.

grande_jabuticaba[1]

A palavra jabuticaba deriva de “iapoti´kaba” que vem do idioma das tribos Tupi e o significado pode ser “fruta que alimenta o jabuti” ou “sebo de jabuti” (alusão ao aspecto da polpa x o sebo ou gordura do jabuti). Muito apreciadas pelos índios in-natura ou em fermentados, as frutinhas de casca preta e sabor adocicado logo caíram nas graças dos portugueses e, mais tarde, dos cidadãos de todo o mundo. Hoje existem jabuticabeiras nos Estados Unidos, Rússia, Espanha, China, Austrália, Vietnã e em muitos outros países, mas a maior produtora mundial de jabuticabas ainda é brasileira: é a cidade de Hidrolândia, em Goiás. Já no estado de São Paulo, Jaboticabal e Casa Branca são grandes produtoras. As três cidades promovem festas anuais em homenagem a fruta, que se tornou uma atração turística.

Apesar da fama mundial, nem todos sabem que existem várias subespécies de jabuticaba, e não apenas uma espécie. Algumas delas (como a coroada) podem levar até 20 anos para frutificar a partir do plantio por semente, mas outras frutificam a partir de 03 anos. Se forem produzidas por alporquia ou enxertia, podem até frutificar em bem menos tempo: em apenas um ano! As subespécies mais comuns e suas características básicas (existe muita variação) quando cultivadas a partir de sementes são:

Sabará (Myciaria jaboticaba Berg) – árvore de até 6m de altura com vários ramos que crescem desde a base, folhas pequenas e verde escuras, frutos de até 3cm e pretos quando maduros, casca fina e muito doce. Começam a produzir a partir dos 06 anos de idade.

Híbrida (Myrciaria x Cauliflora) – Como o nome diz, esta espécie é o resultado do cruzamento da jabuticaba sabará com a paulista. Árvore de até 5m de altura, folhas verde claro, frutos de até 3cm e pretos quando maduros, casca mais grossa, fruto muito doce. Inicia a produção a partir dos 03 anos de idade e produz mais de uma vez ao ano. É a variedade mais comercializada.

Ponhema, Açú ou Paulista (Myciaria cauliflora Berg) – árvore de até 4,5 m de altura com ramos que crescem desde a base, folhas novas são avermelhadas, frutos de mais de 3 cm de cor preta e entrecasca arroxeada quando maduros, casca grossa e sabor acidulado. Começam a produzir a partir dos 06 anos de idade.

Vermelha ou Vinho (Myciaria phitrantha Kiaersk) – árvore de até 3,5 m de altura, frutos de mais de 3 cm de diâmetro, fortemente costados, de coloração avermelhada a cor-de-vinho. Folhas de até 7-8 cm de comprimento. Frutifica 2 vezes por ano, a partir de 3-4 anos de idade..

“Branca” (Myciaria aureana Mattos) – árvore de até 3 m de altura e muito ramificada, mas de tronco e galhos finos, folhas de até 10 cm, de tom marron claro quando novas. Frutos costados de 2 a 3 cm, de cor verde claro quando maduros. Polpa muito doce e casca fina, levemente azeda e que pode ser consumida. Começam a produzir a partir dos 04 anos de idade.

Outras subespécies, mais raras e pouco conhecidas, são: jabuticaba-de-cabinho, jabuticaba-azul, jabuticaba coroada, jabuticaba coroada da restinga, jabuticaba anã do cerrado, jabuticabatuba, etc…

Cultivo: Jabuticabeiras gostam de sol, mas aceitam a meia sombra e algumas espécies aceitam até o cultivo em em ambientes internos. Em São Paulo, no Shopping Eldorado por exemplo, você poderá encontrar duas árvores enormes no pátio de alimentação, próximas as grandes janelas laterais. Outro fator importante para ter sucesso no cultivo é não deixar faltar água, pois jabuticabeiras não toleram estiagem prolongada. Na falta de água, produzirão muito pouco e poderão até morrer. Elas também não gostam muito da água com cloro que sai de nossas torneiras, mas adoram a água das chuvas. A única espécie tolerante ao menor volume de água é a jabuticaba anã do cerrado (Myrciaria Nana Ou Plinia Nana), que tolera estiagens e não gosta de água em excesso.

Podem ser cultivadas em vasos? A resposta é SIM! As mais adequadas são a vermelha, a branca e a anã do cerrado (raríssima!) que podem ser mantidas em vasos a vida toda. Quanto às demais, você até pode mantê-las por alguns anos em vasos, pois todas as espécies de jabuticaba crescem MUITO lentamente, mas um dia você terá que transplantá-las para o solo ou precisará de um vaso muito grande.

Em minha casa, tenho uma jabuticaba de cabinho plantada no solo, além de uma jabuticaba híbrida, uma coroada da restinga, uma jabuticaba anã do cerrado e uma jabuticaba azul em vasos.

Você pode encontrar mudas de todas as subespécies citadas neste artigo consultando os vendedores listados na seção de links deste blog, ou mesmo pesquisando em sites de e-commerce como o Mercado Livre e o OLX. Quanto a subespécie anã do cerrado (Myrciaria Nana ou Plinia Nana), apenas o E-jardim e o Colecionando Frutas tinham mudas disponíveis quando do fechamento deste artigo.

Se você tiver um bom dinheiro disponível e bastante espaço, tem ainda a opção de comprar uma jabuticabeira já adulta e produzindo: http://www.jabuticabeira.com.br.

Para quem não tem tanto espaço mas tem algum dinheiro, também existe uma opção: http://www.jabuticabeiranovaso.com.br/. Você pode receber sua jabuticabeira, já no vaso e produzindo, em sua casa! E o melhor: se você reside em São Paulo (ou nas cidades listadas no site), o frete é grátis.

Bom cultivo!

Sapoti, Mamey… Que frutas são estas?

Estes frutos de nome diferente e aspecto diferenciado, cujo representante mais conhecido é o Sapoti, são pouco ou mesmo totalmente desconhecidos do público em geral. Eles são produzidos em árvores que podem ir de 03 a 20 metros de altura conforme a espécie, mas todos eles são frutos grandes, de formato ovalado ou arredondado, polpa doce e saborosa. Embora popularmente sejam batizados de Sapota, nem todos o são de fato. Na foto que segue apresentamos alguns dos representantes mais comuns da família das Sapotáceas (Mamey, Apricot, Sapoti e Canistel), bem como os nomes pelos quais eles são popularmente conhecidos. Temos ainda um representante da família das Malváceas (Sapotá do Solimões), um da família Ebenaceae (Sapotá Preta – Diospyros Digyna) e um da família das Rutáceas (Sapota Branca – Casimiroa Edulis):

SAPOTACEASEnquanto que o Sapoti, o Abricot e a Sapotá do Solimões são nativos do Brasil, os demais são nativos dos países andinos e da América Central, embora tenham se adaptado com facilidade ao clima brasileiro, em especial ao dos estados da região norte e centro-oeste. Dentre todos eles o sapoti é sem dúvida o mais popular, sendo encontrado com certa facilidade em mercados de todo o Brasil. Já o Abricot e o Sapotá do Solimões são comuns nos estados brasileiros do Pará e do Amazonas, mas não nos demais estados. O Canistel já é mais raro de se achar, enquanto que o Mamey, a Sapota Preta (parente do caqui!) e a Sapota Branca (esta precisa de polinização cruzada) são praticamente impossíveis de se achar.

Tais frutas alcançam altos preços e, em que pese o sabor agradabilíssimo, difícil de descrever, não são comuns na mesa do brasileiro. Mas por quê será? Por certo que o pequeno número de produtores e distribuidores é um limitador (condição esta que também faz aumentar o preço), mas acredito que o longo tempo de maturação também contribua para a dificuldade de encontrá-los. Para alguns deles (como o Mamey e o Sapoti), desde a floração até a colheita pode se passar um ano!! Não obstante, a produção de algumas delas costuma ocorrer durante todo o ano (reduz apenas no inverno), de forma que você tem flores, frutos pequenos, verdes e maduros simultaneamente na mesma árvore. Outro inconveniente destas frutas é que ao atingirem a maturação se deterioram rapidamente, dificultando o transporte para longas distâncias e mesmo o armazenamento.

Bem, à esta altura você já deve estar se perguntando: Mas algum deles pode ser cultivado em vasos?. Desde que o vaso tenha o tamanho adequado, a resposta é sim. Ao menos um deles tem alguma expressividade nesta área: é o Sapoti. É comum você encontrar mudas enxertadas que já produzem frutos com apenas 60 cm de altura, tal qual a que eu tenho em minha casa em um vaso de 30 cm de altura por 30 cm de boca (vou precisar de vaso maior à medida que a planta crescer, é claro). Canistel enxertado e de alporquia também pode ser encontrado, assim como o Mamey produzido a partir de semente, mas os demais, quer seja a partir de semente, enxerto ou alporquia, praticamente inexistem. Conheço dois fornecedores de mudas destas frutiferas:

Sabor: eu já tive o prazer de provar o sapoti, o sapotá do solimões, o mamey e o canistel, e vou tentar descrever-lhes o sabor. Quanto aos demais não descritos aqui, se você já provou deles, conte-nos como foi. 🙂

Sapoti (Manilkara zapota): de polpa marron quando madura, lembra uma mistura de cana-de-açúcar e/ou coco queimado não excessivamente doce. Pode ser comido ao natural e é muito gostoso!

Sapotá do Solimões (Quararibea cordata): de polpa alaranjada quando madura, parece uma mistura de melão com manga. Pode ser comido ao natural e embora tenha pouca polpa é suculento.

Mamey (Pouteria Sapota): de polpa alaranjada quando madura, é conhecido como a fruta dos Mayas (daquele Império pré-colombiano) e é considerada uma das mais saborosas frutas tropicais. O sabor do mamey é geralmente descrito como sendo semelhante a batata-doce e/ou abóbora, com uma pitada de chocolate e aroma de amêndoa. Pode ser consumido ao natural, usado para sorvetes, milk-shake ou batido com leite assim como o abacate. Saborosíssimo!

Canistel (Pouteria Campechiana): quando maduro, a casca e a polpa são de um tom amarelo intenso. Talvez o menos saboroso da lista. A polpa é doce, mas tem pouca umidade, sendo mais seca. É mais usado para sopas e pures.

Saliento que a percepção quanto ao sabor de cada uma destas frutas pode variar de pessoa para pessoa, que tendem a descrevê-lo como uma uma mistura do sabor de outros frutos mais conhecidos.

Onde encontrar os frutos? Moro na cidade de São Paulo, e só conheço dois locais onde sazonalmente você pode adquirir estes frutos: O Mercado Municipal (no centro de São Paulo) e a Frutícola Trindade (no CEASA). Abro uma exceção para o Sapoti, que pode ser encontrado também no varejão do bairro da Vila Sônia, próximo ao Shopping Butantã.

Ficou curioso? Então pergunte por estes frutos no mercado de sua preferência e mesmo nas feiras livres. A procura tende a incentivar o cultivo e a disponibilidade!!

Maria Pretinha ou Erva-Moura (Solanum Americanum)

Em uma volta no bairro achei um pequeno arbusto carregado de frutas, e colhi o bastante para fazer um copo de suco. Convém ressaltar que a “Maria-Pretinha” (ou Erva-Moura) só pode ser consumida quando totalmente preta (verde é tóxica). Ela tem a casca lisa e brilhante, e aparece em cachos parecidos aos de uma uva porém bem menores, em geral com 4 ou 5 frutos agrupados. O suco que já é doce por si só, fica mais saboroso se você adicionar um pouco de açúcar. Você pode ainda fazer geléias, acrescentar às saladas, usá-la para cobertura de bolos ou mesmo para tingir batidas e para fazer gelo colorido (degradê), por exemplo. As folhas jovens e refogadas também são comestíveis. Como a planta é um mero arbusto de no máximo 1 metro de altura, retirei a planta do local onde a encontrei e a levei para casa onde a plantei no mesmo vaso em que está a pitangueira.

(Atualização de 22/06/2015) Parentes?? Sim, a Maria-Pretinha tem ainda outros parentes comestíveis e cujas mudas ou sementes podem ser compradas via Mercado Livre e em outros sites de comércio eletrônico. Os dois parentes mais comuns são o Solanum Burbankii e o Solanum Melanocerasum, ambas de sabor idêntico ao da Maria-Pretinha (Solanum Americanum).

MAS ATENÇÃO!! Existe uma planta similar à Maria-Pretinha, que tem sutis diferenças, mas que não é comestível . Entre tais diferenças uma das mais perceptíveis está nos frutos que tem leve pilosidade e não dão em cachos, além de as folhas terem bordas serrilhadas ou dentadas. O problema é que os frutos desta planta similar, cujo nome científico é Solanum Nigrum, são tóxicos em qualquer estágio de maturação, mesmo quando completamente negros ou roxos!!! Se você for colher frutos por aí, certifique-se de não colher da planta errada. Veja nas fotos como identificar a Maria-Pretinha. Observe, circundado em vermelho, o ponto único de conexão do cacho à planta, além das folhas de bordas lisas e o fruto de casca brilhante (sem pilosidade), características estas que permitem identificar a planta seguramente como a Maria-pretinha verdadeira.

Cuidado: se você não tem experiência com o tema, não arrisque sua saúde degustando plantas e frutos inspirado apenas pelas descrições e fotos deste post (ou mesmo de outros sites e blogs), pois não serei responsável por problemas de saúde que você eventualmente tiver em virtude de identificar incorretamente as frutas e as plantas retratadas neste blog. Se estiver em dúvida sobre a identidade da planta e do fruto, não os coma!

O suco: espumante e doce. Uma delícia!

O suco: espumante e doce. Uma delícia!

Como reconhecer a Maria-Pretinha.

Como reconhecer a Maria-Pretinha.

Os frutos são pequenos e tem sementes microscópicas que você não precisa retirar.

Os frutos são pequenos e tem sementes microscópicas que você não precisa retirar.

Cagaita (Eugenia Dysinterica ou Stenocalyx Dysentericus (DC.) O. Berg)

Você deve estar pensando: “Mas que nome estranho para uma fruta!!“. Pois é estranho mesmo, mas tem sua explicação: a ingestão do fruto maduro e ainda quente de sol, tem efeito laxativo (para algumas pessoas bastam 15 minutos para fazer efeito). Não obstante, a infusão de folhas tem o efeito inverso. Mas não se preocupe, pois basta colocar o fruto na geladeira para que este esfrie e as propriedades laxativas só se manifestarão se você ingerir grande quantidade deles. Nativa do cerrado brasileiro, a cagaita pertence à família Myrtaceae, sendo portanto parente da jabuticaba, goiaba, jambo, araçás e eucaliptos. A frutinha é pouco maior do que uma moeda de 1 real, de cor amarela, polpa gelatinosa quando madura e sabor difícil de descrever, mas com caroço pequeno e boa quantidade de polpa, muito utilizada no preparo de sucos, doces, geléias e sorvetes. Quando verde mas próxima da maturação, também é comestível e tem textura crocante e um sabor que lembra o da maçã verde. A casca do fruto é muito fina e também é comestível. A árvore é caducifólia (perde as folhas no inverno) e corticeira, ou seja, seu tronco solta placas de até 2 cm de espessura. Em seu ambiente natural a cagaiteira pode chegar até 7 metros de altura e tem belo efeito paisagístico quando em floração e com suas folhas jovens de tom avermelhado que passam ao marrom-ferrugíneo e depois ao verde (vide foto abaixo). Apesar do porte é possível sim cultivá-la em vasos, onde a espectativa é de que inicie a produção de frutos entre os 2 e 4 anos de idade. Por hora, a minha muda está em um recipiente plástico de 40 cm de altura por 30 cm de boca, mas já produz frutos e tem floração abundante. Realmente, uma de minhas melhores aquisições. 🙂 Comprei minha muda da Mari Plantas, cujo endereço está disponível na seção links.

Frutos Maduros

Frutos Maduros

Flores e folhas novas

Flores e folhas novas

Floração

A floração espetacular, que ocorre no início da primavera junto com o surgimento das novas folhas de cor ferrugínea, tornam a cagaita uma excelente opção para o paisagismo.

CURIOSIDADE: existe uma variante menos comum, conhecida como cagaita vermelha (Eugenia geminiflora Berg.), cuja foto segue abaixo. As flores e aspecto geral da árvore são idênticos ao da cagaita amarela.

cagaita vermelha

Cagaita vermelha