Lichia – Litchi Chinensis

Como você já deve ter percebido em função do nome científico da planta, a lichia não é nativa do Brasil, mas sim da China. Fruta saborosíssima, a lichia é uma fruta subtropical produzida em uma árvore que pode atingir de 15 a 20 metros de altura se for oriunda de semente e, neste caso, a produção se inicia apenas após 10 anos! Não obstante, a lichieira é uma árvore de vida longa, que continua produzindo mesmo após os 100 anos de idade!!

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À esquerda, Lichieira frutificando. À direita, frutos maduros

A floração (que dura vários dias e ocorre entre os meses de junho e julho) é similar a da mangueira: longas hastes carregadas de diminutas flores de tom creme, perfume suave, mas que atrai inúmeros insetos polinizadores com facilidade. A produção é alternante e depende do número de flores masculinas presentes por panículo. Existem três tipos de flores nas lichieiras: duas funcionalmente masculinas e uma feminina. As masculinas não possuem óvulo e as femininas são hermafroditas. A segunda variedade de flor masculina possui pistilo rudimentar e ovários não desenvolvidos. A colheita ocorre em um período muito curto, de meados de dezembro a início de janeiro, e a  produtividade normal da lichieira é de 30 a 45 kg/planta adulta.Como possui flores masculinas e femininas em uma única planta, basta você ter uma para que possa colher frutos.

A lichieira é bastante exigente com relação ao clima: desenvolve-se bem mas não produz satisfatoriamente em regiões tropicais, adaptando-se melhor em regiões onde o clima é frio e seco antes do florescimento e, no resto do ano quente e úmido. A precipitação ideal encontra-se entre 1.250 e 1.700 mm anuais. A exigência em água é maior nas plantas novas e naquelas em produção.

O cultivo comercial da lichia resultou na seleção e produção de variedades que produzem frutos de diferentes tamanhos, forma e quantidade de polpa. As variedades mais comuns são as que seguem:

  • Bengal – Originada a partir de seleção da variedade indiana Purbi. A planta apresenta moderado vigor, frutificação irregular e maturação precoce. Os frutos são cordiformes (em forma de coração), com peso médio de 21 g, coloração vermelho-brilhante, polpa firme e de boa qualidade.
  • Brewster – Tem origem na província chinesa de Fujian, onde a variedade é chamada de ‘Chen Zi’. A planta é vigorosa, de crescimento ereto, apresenta frutificação irregular e maturação mais precoce que a ‘Bengal’. Os frutos são elípticos, com peso médio de 23 g, coloração vermelho brilhante, polpa macia, de qualidade aceitável. Cerca de 74% de sabor ácido, a menos que esteja bem madura. Semente de tamanho mediano a grande e com 30% a 50% de abortos. Frutos com aspecto bastante semelhante aos da ‘Bengal’, mas não se apresentam em cachos tão compactos.
  • Americana – Variedade desenvolvida no Brasil, a partir de sementes selecionadas da variedade ‘No Mai Tszé’ trazidas dos EUA. Apresenta fruto cordiforme, com cerca de 18 g e coloração vermelho-intensa. Cerca de 30 a 50% de sementes são naturalmente abortadas. A produção é de excelente qualidade, entre regular e alternante, com rendimento moderado.
  • Kwai Mai Pink – Cultivar de maturação na meia estação, caracterizada pela coloração alaranjada de seus frutos. É considerada a lichia de menor alternância, com cachos com 8 a 20 frutos, com uma semente média.
  • Emperor – A que produz maiores frutos. Cultivar de maturação na meia estação, com cachos contendo de 3 a 8 frutos de tamanho grande.
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Floração da Lichieira

Pode ser cultivada em vasos? SIM, embora estes devam ser grandes. Um vaso com 80cm de altura por 50 cm de boca pode garantir uma boa produção, desde que respeitadas as condições climáticas e morfológicas supracitadas. O vaso que tenho em minha casa tem exatamente este tamanho.

Onde encontro mudas para vasos? Você pode encontrá-las na maioria dos fornecedores listados na seção de links, também no Mercado Livre e mesmo em bons viveiros locais. Procure por mudas produzidas pelo sistema de alporquia, as quais já produzem desde os 80 cm de altura e 3 anos de idade. Ademais, mudas produzidas por alporquia se tornam árvores menores, de 3 a 5 metros de altura se plantadas no chão, e não aqueles gigantes de 15 a 20 metros de altura.

ATENÇÂO: A lichieira é suscetível à ácaro-erinose, uma doença que pode reduzir muito a produção e mesmo levar a planta à morte. Esta doença faz com que as folhas fiquem retorcidas e com “bolhas”, recobertas por um veludo marron em sua face inferior. Uma vez contaminada, a cura é muito difícil. Por isso, se a muda tiver sinais de estar infectada, não a compre em hipótese alguma! Veja a foto de uma planta infectada:

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Para quem reside no estado de São Paulo, em especial na região próxima a Taubaté, o melhor local para você ir buscar a sua muda de lichia, é o http://www.lichias.com. Lá você também poderá comprar mudas de rambutan e de longan, frutas que podem ser consideradas parentes da lichia.

Bom cultivo!

 

Uvaia – Eugenia Pyriformis

A uvaia, também conhecida como uvalha em certas regiões do Brasil, é uma árvore nativa da Mata Atlântica com ocorrência natural na região que vai do estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, e cuja altura pode variar de 4 a 12 metros com um tronco que vai de 20 a 50 cm de diâmetro. O nome uvaia vem do idioma tupi-guarani e significa “fruta acidulada”. De fato, a fruta tem um sabor que vai do mais doce ao mais azedo, dependendo da variedade. Os frutos podem ter formato similar ao da pera (daí o nome Pyriformis, decorrente da primeira variedade catalogada), mas a forma mais comum é a arredondada com achatamento nos polos. Embora exista uma variante que produza frutos maiores (conhecida como uvaião), a forma mais comum produz frutos cujo tamanho varia entre 3 e 5 centímetros, tendo casca levemente aveludada. É sobre esta forma que falaremos mais detalhadamente neste artigo.

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Detalhe dos frutos da uvaieira. À esquerda, a forma mais comum do fruto e, à direta, a que lhe deu o nome de batismo: Pyriformis.

Os frutos da uvaieira normalmente tem casca de tom amarelo intenso, pele fina e polpa suculenta que encerra de um a dois caroços de tamanho variável, mas que em geral são pequenos. Você pode fazer sucos, licores, caipirinhas, geléias e até vinagre com a uvaia. Há quem a coma logo após colhida, como eu, e posso garantir que o fruto é saboroso mesmo em suas variedades mais azedas. Com tantas qualidades, porque a uvaia não é encontrada nos mercados? Bem, apesar das qualidades, seu aroma perfumado atrai insetos que perfuram a casca fina com facilidade e, ademais, os frutos não resistem a transporte por longa distância, pois rapidamente vão perdendo o perfume e acabam por se oxidar. Logo, não tem interesse comercial como fruta de mesa, mas sua polpa congelada pode ser encontrada com alguma facilidade, como no Sítio do Bello.

A uvaieira é uma árvore que gosta de sol e que tem crescimento rápido. Seu tronco é descamante as folhas são verde-escuro, alongadas, mas com tom avermelhado quando novas, o que garante um belo efeito paisagístico. A produção de frutos é rápida, podendo se iniciar entre dois e quatro anos para as mudas oriundas de semente, sendo que a floração e frutificação se dão normalmente entre agosto e novembro. Embora seja uma árvore de bom porte em seu ambiente natural, a uvaieira pode sim ser cultivada em vasos, onde se adapta bem. Logicamente, quanto maior o vaso melhor, mas vasos de 40 cm de altura por 30 cm de boca podem manter uma uvaieira que produza frutos, desde que regada e adubada periodicamente. Em minha casa, tenho uma uvaieira exatamente nesta condição, que produziu frutos pela primeira vez em 2015, quando estava com apenas um metro e quinze centímetros de altura.

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Foto das flores, brotos e da uvaieira adulta

A uvaieira tem também parentes próximas que podem ser consideradas ainda mais apropriadas para o cultivo em vasos. Três exemplos são: a Uvaia-anã ou uvaia-doce (Eugenia Lutescens), Ubá-Peva (Eugenia Anomala) e a Uvaia-Peba (Eugenia Arrebidae), todas elas nativas do cerrado e que adultas ficam entre um e dois metros de altura. Mas estas são difíceis de encontrar… Apenas no Colecionando Frutas você obterá mudas destas três variedades. Já a muda de uvaia comum pode ser adquirida na maioria dos viveiros listados na seção de links e mesmo em vários outros viveiros espalhados pelos demais estados do Brasil. Para os que moram em São Paulo, há uma opção a mais: podem retirar grátis a muda da uvaia comum nos Viveiros da Prefeitura.

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Uvaia frutificando no vaso

E então? Ficou interessado? Pois então vá agora mesmo buscar sua muda de uvaia e instale-a em sua casa, seja no solo, seja em um belo vaso, e saboreie os frutos desta frutífera nativa.

Pitangas…

Talvez você tenha se perguntado porque neste post eu não adicionei o nome científico da pitanga e sim apenas reticências. O primeiro motivo que me levou a colocar as reticências, é para refletir a entonação dada por grande parte das pessoas quando você cita esta fruta. Quem já não provou aquela pitanga com um forte retrogosto de terebentina ou amargoso (eca!!!!)? Muitas pessoas nunca mais querem provar outra pitanga depois desta experiência, mas não sabem que a pitanga é uma fruta muito variável na forma (lisa ou costada), no tamanho (1cm a 5cm de diâmetro), na cor quando madura (verde, amarela, laranja, vermelha, roxa ou negra), no sabor do fruto (amargo, azedo, doce),  na quantidade de polpa (algumas tem caroço pequeno ou inexistente, outras tem mais de um, outras tem um caroço enorme) e também no tamanho da árvore, que pode não passar de um mero arbusto que mal chega a 1 metro de altura ou se tornar um gigante de uns 12 metros de altura!!! Por que tanta variação?!?! Na hora de comprar a muda, como saber se você está levando uma planta que produz frutos de qualidade ou aquela malfadada pitanga como gosto de terebentina????

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As diferentes cores e formas dos frutos

O segundo motivo é a variedade de tipos que existem. O nome científico pelo qual a pitanga é conhecida é Eugenia Uniflora. Sob este nome científico está abrigada a maioria das variedades de pitanga. Variedades: esse é o termo correto.

Diferentemente de outras frutas comercializadas, tais como laranja, pera, morango, melancia, etc, a pitanga não foi “domesticada”, ou seja, não passou por um processo de seleção quanto à forma, sabor, tamanho e cor que resulta na produção de cultivares (variedades) específicas, produzidas por clonagem ou enxertia da planta selecionada, embora você possa encontrar mudas que foram assim produzidas. Ademais, a pitanga não resiste ao transporte e isso desencoraja a sua comercialização. Assim, é natural que a pitanga não tenha um padrão como outras frutas comercializadas, e que tenha forma, sabor, cor e tamanho tão variável, produto de sua alta diversidade genética. Você já deve estar se perguntando: “Então como vou saber qual muda de pitanga presta?“. Não desista ainda, continue lendo.

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À esquerda a pitanga de árvore, comum em todo Brasil e que pode chegar a 12m de altura. À direita, a pitanga do cerrado que mal chega a 1 metro de altura. Notem a forma diferente das folhas, embora os frutos sejam similares.

A pitangueira árborea é muito adaptável a variadas condições climáticas, tolera bem podas, e é encontrada desde a fronteira com as Guianas (onde é conhecida como Surinam Cherry) até a Argentina. Já a pitanga do cerrado (ou rasteira), cujo nome mais comum é Pitanga-Peba (científico Eugenia Pitanga), é exclusiva da região do cerrado brasileiro. Ambas frutificam após 2 ou 3 anos de vida, mas a diferença está no tamanho: a arbórea terá pelo menos um metro e vinte ao frutificar pela primeira vez, enquanto que a do cerrado pode ter menos do que um palmo de altura, conforme atesta meu post de 04/08/2015, cuja foto você pode ver aqui: Frutificando!

Ambas podem ser cultivadas em vasos, mas a do cerrado além de ocupar bem menos espaço (pode até ficar na sacada de um apartamento, desde que receba luz solar), tem frutos mais suculentos e de ótimo sabor. Vale ressaltar que algumas variedades da pitanga árborea não passam de 2 metros, enquanto que outras podem chegar a 12 metros de altura e, se você adquirir uma dessas mais cedo ou mais tarde terá que tirá-la do vaso. Ainda falando da pitanga de árvore, um conselho: só compre a muda se você puder provar os frutos por ela produzidos. Assim você evita de comprar uma variedade que tem o malfadado gosto de terebentina e, dependendo do tamanho da muda produzindo, poderá ter uma idéia de qual é a variedade e do tamanho final da árvore. Um outro conselho é optar pelas pitangas negras ou roxas, que normalmente tem sabor bem superior.

Em casa, tenho 04 mudas de variedades diferentes da pitanga do cerrado, sendo uma em vaso e as demais no solo. Tenho ainda 04 mudas da pitanga arbórea (três vermelhas e uma roxa) em vasos: duas em vasos de 55cm de altura por 40 cm de boca e uma em um vaso de 70cm de altura por 60 cm de boca. A roxa ainda não produziu frutos, mas as demais já e, como esperado, elas tem sabor diferente entre si. Mas nenhuma tem o malfadado gosto de terebentina. Todas tem bom sabor.🙂

A pitangueira produz uma boa quantidade de frutos e tem também um belo efeito ornamental em função de suas brotações vinho-avermelhadas. Uma das variedades que tenho perde todas as folhas no outono e floresce no inverno. Muito bonita!

Então, ficou interessado? Então vá atrás de sua pitangueira! Na seção de links você encontra mudas da variedade arbórea com qualquer um dos fornecedores mas, que eu saiba, apenas o Colecionando Frutas, o e-Jardim e o Mudas de Frutíferas possuem mudas da variedade do cerrado (Pitanga-Peba – Eugenia Pitanga). No Mercado Livre você também encontra vários anúncios de ambas as variedades em suas diferentes cores. Você também poderá comprar sua muda no CEAGESP durante a semana (veja dias e horários) e nas feiras de sábado e domingo.

Para quem tem disponibilidade e transporte próprio, poderá ainda retirar mudas GRÁTIS (até 10, variadas) nos viveiros da prefeitura. Veja o estoque disponível clicando aqui.

Boa sorte com a sua pitangueira!

Curiosidades: A Sapiranga, ou Pau-Alazão (nome científico Eugenia Multicostata) é um parente próximo da pitanga. Os frutos são similares, mas maiores.

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Frutos da Sapiranga

A árvore é bem maior e não poderá ser mantida indefinidamente em vasos: chega aos 30 metros de altura com um tronco quase retilíneo e de brilhante tom marron-avermelhado, cujas folhas lembram as da pitanga árborea, mas também são maiores. Seu crescimento é bastante lento, e inicia a frutificação entre 5 e 7 anos de idade.

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A árvore adulta e suas folhas

Hoje rara, sendo mais comum no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, esta árvore está à beira da extinção em função do abate para uso de sua madeira, de excelente qualidade. Na verdade, ela é conhecida mesmo como produtora de madeira-de-lei e não como frutífera, mas dá excelentes frutos. Caso você tenha interesse nesta frutífera muito pouco conhecida, vale um alerta: cuidado para não comprar gato por lebre! Há vários vendedores que se enganam e te enganam, apresentando outras árvores como sendo a Sapiranga. Dois vendedores que com certeza te venderão a planta certa, são o Marco Lacerda (e-Jardim) e o Ricardo Bitar (Jardim Exótico).

Se você tem espaço suficiente em solo, esta árvore é uma excelente aquisição não só por causa dos seus frutos, mas principalmente para embelezar e valorizar a sua propriedade.

Frutas no Brasil e no Mundo

O objetivo deste post é falar um pouco sobre a variedade das frutas nativas e exóticas encontradas no Brasil. A biodiversidade brasileira é espetacular e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. Sendo o Brasil um país de dimensões continentais, cortado ao norte pela linha do equador e, ao sul pelo Trópico de Capricórnio, concluímos que 92% do seu território situa-se na zona intertropical, isto é, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio.

A Mata Atlântica, o Cerrado, a Região Tropical Amazônica e a Região de Clima Temperado que abrange o sul do país, nos permite o cultivo de diferentes frutíferas nativas e exóticas. Aliás, o que são frutas exóticas? O brasileiro usa o termo para designar as frutas pouco comuns, mesmo que nativas, mas a palavra “exótica” na verdade designa aquelas frutas que não são de fato nativas do território brasileiro. Mangas, laranjas, pêssegos, maçãs, lichias, romãs, longans e pêras são as frutas verdadeiramente exóticas, embora poucos saibam deste fato. Já as uvaias, araçás, gabirobas, cambucás, pitangas, jabuticabas e outras menos conhecidas, são as verdadeiras frutas nativas.

A esta altura, se você gosta de frutas e é uma pessoa curiosa, já deve estar se perguntando quais são as outras frutas, nativas e exóticas, cultivadas em nosso país. Bem, para obter a resposta a esta pergunta, sugiro a vocês que leiam o livro “Frutas no Brasil: Nativas e Exóticas”, título publicado pelo Instituto Plantarum. No livro, você encontrará informações e fotos de aproximadamente 1.020 tipos de frutas cultivadas no Brasil. Veja abaixo a imagem exemplo de páginas deste livro.

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Porém, você pode ser (como eu), uma pessoa ainda mais curiosa e que tem o desejo de saber mais sobre outras frutíferas existentes no mundo, em especial, as comestíveis. Bem, neste caso, um bom começo é a Fruitipedia, uma publicação online que traz fotos e descrição de frutíferas de todo o mundo, muitas das quais desconhecidas da população em geral. Vale a pena a leitura!

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Uma outra fonte de referência indispensável, é a do maior colecionador de frutas Brasileiro: Hélton Josué Teodoro Muniz. Ele é um autodidata, um pesquisador de frutas ou frutólogo, como ele mesmo gosta de dizer. Seu site contém, além da descrição e fotos de inúmeras frutíferas nativas, venda de mudas e instruções para cultivá-las. Hélton também tem uma história de vida inspiradora, de superação, que você precisa conhecer. Visite o site deste meu amigo e conheça a sua incrível coleção de frutíferas: http://www.colecionandofrutas.org/index.htm.

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Para você que deseja saber mais sobre as frutíferas e sobre como cultivá-las, além do potencial comercial, a leitura das obras de referência supracitadas constitui-se em um ponto de partida indispensável.

Boa leitura e diversão!

Cereja da Austrália – Eugenia Reinwardtiana

Hoje vamos falar sobre a Cereja da Austrália, uma frutífera que se adapta perfeitamente a pequenos vasos. Ela é nativa das florestas chuvosas de Queensland, Austrália, e lá é conhecida como Cedar Bay Cherry ou Mountain Stopper. Em seu ambiente natural tem tamanho que varia dos 2 aos 6m de altura quando adulta, mas quando cultivada em vasos dificilmente passa de 1,5 m de altura.

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A arvoreta é também ornamental, pois suas brotações são avermelhadas e com folhas pubescentes. Produz frutos ovalados de 2 a 3 cm, de casca e polpa vermelha-escarlate, e tem sabor adocicado. Outro fato interessante é o de que frutifica precocemente, perto dos 2 anos de idade.

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Os frutos são consumidos ao natural, mas podem também ser utilizados para fazer doces, geléias e dar sabor a drinks e batidas.

Em minha casa tenho uma muda em um vaso de 30 cm de altura por 25 cm de boca. Ela foi comprada no e-Jardim em início de 2014 e hoje, 2 anos depois, está florescendo pela segunda vez.

Cajá-manga Anão – Spondias Cythera

Olá amigos! Vamos ao primeiro post de 2016, no qual falaremos sobre o cajá-manga.

O cajá-manga é um fruto mais conhecido pelos moradores das regiões Norte e Nordeste do Brasil, mas que lentamente vem se tornando conhecido também nas demais regiões do país. Supermercados como o Extra e o Pão-de-Açúcar sazonalmente comercializam o cajá-manga em bandejas com 4 ou 6 unidades. O problema é que o cajá-manga comercializado nestes mercados é o produzido em uma árvore que pode passar dos 10 metros de altura e de 5 metros de copa… Decididamente não caberia em vasos e nem em quintais medianos. Para os que querem conhecer a árvore, visitem o Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, na cidade de Socorro, estado de São Paulo, onde você poderá conhecer um gigantesco pé de cajá-manga arbóreo, saborear alguns frutos, tomar café produzido no local e passar alguns dias hospedado neste hotel fazenda que tem inúmeras atrações, principalmente para os seus filhos. Me hospedei lá em 2014, e recomendo muito o lugar.

Bem, mas existe uma variedade anã que pode ser mantida em vasos e, se plantada no chão, se tornará uma arvoreta de no máximo 1,40m a 2,50m de altura. Esta variedade anã é o foco deste artigo.

O cajá-manga anão produz, é claro, frutos menores que os do seu primo arbóreo, mas tem uma vantagem: tem muito menos fibras. Sim, porque o cajá-manga de árvore produz frutos com muitas fibras e que dificultam a extração da polpa. É até ruim de morder o fruto… Já o cajá-manga anão não tem este problema. Você pode simplesmente remover a casca fina e cortar as lascas da polpa, ou até mesmo colocar o fruto inteiro na boca e ir mastigando-o até sobrar apenas o caroço. Veja a foto:

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Cajá-manga anão

O fruto tem sabor que varia do agridoce ao adocicado, polpa crocante, e é muito apreciado para o consumo ao natural e para a produção de sucos e sorvetes. A arvoreta é muito produtiva e aceita bem as podas para limitar a altura e para limpeza. O cultivo é fácil, já que ele aceita quase todos os tipos de solo, inclusive os arenosos e pobres. Uma característica interessante é a queda de todas as folhas no inverno, que renascem na primavera juntamente com as hastes populadas por cachos de pequenas flores de tom creme que logo se transformam em frutos.

Em minha casa tenho um cajá-manga anão em um vaso de 40 cm de altura por 30 cm de boca, onde vai muito bem, e a planta hoje tem 80cm de altura, tendo já produzido frutos diversas vezes.

Você pode encontrar mudas com facilidade, tanto no Mercado Livre como com os vendedores listados na seção de links, mas verá que o preço, o tamanho e a qualidade variam bastante. Pesquise antes de comprar e, se você não tem muito espaço, esteja certo de adquirir a variedade anã.

Bom cultivo!

Jabuticabas

Fruta legitimamente brasileira, nativa da Mata Atlântica, a jabuticaba é tão famosa que até faz parte de um ditado conhecido internacionalmente (infelizmente negativo) referente ao nosso país: “Se é do Brasil e não é jabuticaba, então não presta”. Isso equivale a dizer que em nosso país a única coisa que presta é a jabuticaba. É lamentável que exista este ditado mas… em um país onde a corrupção é sistêmica, onde a impunidade impera e onde a maioria quer apenas levar vantagem sobre os outros, este ditado acaba por fazer todo o sentido embora com certeza não seja 100% verdadeiro, pois existem muitas pessoas e coisas boas no Brasil.

Bem, mas este Blog é sobre frutíferas, e não sobre política, então vamos ao que interessa: a jabuticaba! Uma frutinha que de tão apreciada, tornou-se comum nos quintais familiares dos brasileiros, em especial naqueles dos moradores do Estado de São Paulo, região onde até dá nome a uma cidade: Jaboticabal.

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A palavra jabuticaba deriva de “iapoti´kaba” que vem do idioma das tribos Tupi e o significado pode ser “fruta que alimenta o jabuti” ou “sebo de jabuti” (alusão ao aspecto da polpa x o sebo ou gordura do jabuti). Muito apreciadas pelos índios in-natura ou em fermentados, as frutinhas de casca preta e sabor adocicado logo caíram nas graças dos portugueses e, mais tarde, dos cidadãos de todo o mundo. Hoje existem jabuticabeiras nos Estados Unidos, Rússia, Espanha, China, Austrália, Vietnã e em muitos outros países, mas a maior produtora mundial de jabuticabas ainda é brasileira: é a cidade de Hidrolândia, em Goiás. Já no estado de São Paulo, Jaboticabal e Casa Branca são grandes produtoras. As três cidades promovem festas anuais em homenagem a fruta, que se tornou uma atração turística.

Apesar da fama mundial, nem todos sabem que existem várias subespécies de jabuticaba, e não apenas uma espécie. Algumas delas (como a coroada) podem levar até 20 anos para frutificar a partir do plantio por semente, mas outras frutificam a partir de 03 anos. Se forem produzidas por alporquia ou enxertia, podem até frutificar em bem menos tempo: em apenas um ano! As subespécies mais comuns e suas características básicas (existe muita variação) quando cultivadas a partir de sementes são:

Sabará (Myciaria jaboticaba Berg) – árvore de até 6m de altura com vários ramos que crescem desde a base, folhas pequenas e verde escuras, frutos de até 3cm e pretos quando maduros, casca fina e muito doce. Começam a produzir a partir dos 06 anos de idade.

Híbrida (Myrciaria x Cauliflora) – Como o nome diz, esta espécie é o resultado do cruzamento da jabuticaba sabará com a paulista. Árvore de até 5m de altura, folhas verde claro, frutos de até 3cm e pretos quando maduros, casca mais grossa, fruto muito doce. Inicia a produção a partir dos 03 anos de idade e produz mais de uma vez ao ano. É a variedade mais comercializada.

Ponhema, Açú ou Paulista (Myciaria cauliflora Berg) – árvore de até 4,5 m de altura com ramos que crescem desde a base, folhas novas são avermelhadas, frutos de mais de 3 cm de cor preta e entrecasca arroxeada quando maduros, casca grossa e sabor acidulado. Começam a produzir a partir dos 06 anos de idade.

Vermelha ou Vinho (Myciaria phitrantha Kiaersk) – árvore de até 3,5 m de altura, frutos de mais de 3 cm de diâmetro, fortemente costados, de coloração avermelhada a cor-de-vinho. Folhas de até 7-8 cm de comprimento. Frutifica 2 vezes por ano, a partir de 3-4 anos de idade..

“Branca” (Myciaria aureana Mattos) – árvore de até 3 m de altura e muito ramificada, mas de tronco e galhos finos, folhas de até 10 cm, de tom marron claro quando novas. Frutos costados de 2 a 3 cm, de cor verde claro quando maduros. Polpa muito doce e casca fina, levemente azeda e que pode ser consumida. Começam a produzir a partir dos 04 anos de idade.

Outras subespécies, mais raras e pouco conhecidas, são: jabuticaba-de-cabinho, jabuticaba-azul, jabuticaba coroada, jabuticaba coroada da restinga, jabuticaba anã do cerrado, jabuticabatuba, etc…

Cultivo: Jabuticabeiras gostam de sol, mas aceitam a meia sombra e algumas espécies aceitam até o cultivo em em ambientes internos. Em São Paulo, no Shopping Eldorado por exemplo, você poderá encontrar duas árvores enormes no pátio de alimentação, próximas as grandes janelas laterais. Outro fator importante para ter sucesso no cultivo é não deixar faltar água, pois jabuticabeiras não toleram estiagem prolongada. Na falta de água, produzirão muito pouco e poderão até morrer. Elas também não gostam muito da água com cloro que sai de nossas torneiras, mas adoram a água das chuvas. A única espécie tolerante ao menor volume de água é a jabuticaba anã do cerrado (Myrciaria Nana Ou Plinia Nana), que tolera estiagens e não gosta de água em excesso.

Podem ser cultivadas em vasos? A resposta é SIM! As mais adequadas são a vermelha, a branca e a anã do cerrado (raríssima!) que podem ser mantidas em vasos a vida toda. Quanto às demais, você até pode mantê-las por alguns anos em vasos, pois todas as espécies de jabuticaba crescem MUITO lentamente, mas um dia você terá que transplantá-las para o solo ou precisará de um vaso muito grande.

Em minha casa, tenho uma jabuticaba de cabinho plantada no solo, além de uma jabuticaba híbrida, uma coroada da restinga, uma jabuticaba anã do cerrado e uma jabuticaba azul em vasos.

Você pode encontrar mudas de todas as subespécies citadas neste artigo consultando os vendedores listados na seção de links deste blog, ou mesmo pesquisando em sites de e-commerce como o Mercado Livre e o OLX. Quanto a subespécie anã do cerrado (Myrciaria Nana ou Plinia Nana), apenas o E-jardim e o Colecionando Frutas tinham mudas disponíveis quando do fechamento deste artigo.

Se você tiver um bom dinheiro disponível e bastante espaço, tem ainda a opção de comprar uma jabuticabeira já adulta e produzindo: http://www.jabuticabeira.com.br.

Para quem não tem tanto espaço mas tem algum dinheiro, também existe uma opção: http://www.jabuticabeiranovaso.com.br/. Você pode receber sua jabuticabeira, já no vaso e produzindo, em sua casa! E o melhor: se você reside em São Paulo (ou nas cidades listadas no site), o frete é grátis.

Bom cultivo!